No domingo 05 de agosto de 2012 li a entrevista que o presidente da CNI -Confederação Nacional da Indústria, Sr. Robson Andrade, concedeu aos jornais do interior, e um dos pontos que ele apontou, e não é sem razão, para mantermos o crescimento, precisamos sair da “educação deficiente”, para algo de mais qualidade.
Como estou envolvido num processo que visa justamente, dar uma contribuição para a melhoria de nosso ensino, penso que esta manifestação, pode vir em boa hora.
Qual empresário brasileiro, contrataria um bom professor de história, de química ou de qualquer outra disciplina, para ser o diretor máximo de sua empresa, ou seja, administrar o seu patrimônio? Eu não faria isto e acredito que não encontramos um, Brasil afora.
Pois bem, não concordamos que uma pessoa sem preparo para tal, cuide de nosso patrimônio pessoal, mas admitimos que seja assim, com o que de mais importante temos num país: as pessoas.
Para ser “diretor de colégio”, basta ser professor e ser eleito. Não precisa saber nada de manutenção, de prestação de contas, de indisciplina, relacionamento com a comunidade, trabalhar em equipe, de resultados, enfim de “administração”. Estamos permitindo que mais de 80% de nossas crianças, adolescentes e jovens, frequentem uma escola, dirigida por pessoa sem qualificação específica para isto. E o pior de tudo, é que cobramos boa formação, quando estas pessoas chegam na vida adulta.
Conforme o capítulo 66 do livro “Professor não é Educador”, o pessoal do ensino, é composto de 3 categorias: professores, quadro pedagógico e quadro administrativo. Aqui está uma das mais importantes mudanças, para melhorar nosso ensino: diretor deve ter formação em administração.
Todos nós sabemos que uma boa direção, em qualquer organização, faz toda a diferença. A experiência comprova, que num colégio cujo diretor, por esforço e capacidade pessoal, imprime um ritmo e faz cumprir regras conforme entende ser necessário, os resultados são melhores, com boas médias de avaliação e conceito junto à comunidade.
Por que gastar dinheiro público, fazendo “cursinhos” pra preparar os professores, para serem “administradores” de colégio, se já existem os verdadeiros administradores formados? É perder duas vezes: dinheiro e má gestão administrativa na escola, que não contribui para ter alunos bem formados.
Bem cabe aqui outra comparação. Você que está lendo estas linhas concordaria em ir ao médico, sabendo que ele se formou em um cursinho de poucos meses? Ou contrataria um engenheiro com diploma conseguido com poucos meses de cursinho? Claro que a resposta é, não.
Pois é, para ser diretor de escola, um local com centenas, talvez milhares de pessoas naquele ambiente, se exige apenas umas horas, uns dias de cursinhos de preparação, para exercer aquela função, e claro, tem que ser Professor de qualquer disciplina.
Mas ser Professor de qualquer disciplina é suficiente para saber administrar uma escola? Toda lei e estrutura do ensino, diz que sim.
Outra questão: em qual empresa, time esportivo, clube, ou outra organização, se aceita a indisciplina como algo normal? Por que a escola deve aceitar e pouco ou nada podendo fazer pra corrigir isso? A escola é pra preparar pra vida e todos estão aceitando a indisciplina dos alunos como normal?
Por isso lideranças empresariais e outras organizações, trabalhem junto aos governos, para que seja implantada esta exigência, dentro de um determinado tempo. Eu diria mais, que seja abolida a escolha por eleição. Diretor administrativo deve ser por concurso ou por contrato, com avaliações de resultados de aprendizagens dos alunos. Por que um diretor eleito, seria exigente com seus eleitores(professores)? Como fica a reeleição?
Não basta criticar e exigir, precisamos apontar caminhos, e aqui está um que pode melhorar o nosso ensino.
Edésio Reichert

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