A experiência de presidir uma associação empresarial no Paraná, o envolvimento em projetos de abrangência nacional, o contato e observação de várias entidades – da região, do Estado e do país – fundamentam esta reflexão.
Por que pessoas se organizam em entidades? Para defender os seus interesses e das pessoas ou empresas que tem atividades afins.
Na Sociologia, podemos chamar estas organizações de capital social. Quanto mais capital social existir numa sociedade, tanto maior o seu desenvolvimento e quanto menos capital social, menor o grau de desenvolvimento.
Uma forte razão do atraso de nosso país, em todos os sentidos, está na forma como os dirigentes de entidades e organizações da sociedade civil, agem no seu dia a dia, quando o assunto não é diretamente ligado aos seus interesses, quando o tema diz respeito a toda uma sociedade.
Emitir ofícios e enviá-los para os políticos, fazer reuniões com os mesmos, contratar funcionários lobistas que ficam trabalhando nos bastidores, emitir notas públicas à imprensa, são ações que têm produzido avanços, que não deixam de ter êxitos, mas numa lentidão e velocidade muito abaixo do que o país precisa.
As reformas – política, trabalhista, tributária, e outras – tão necessárias para o país avançar e dar melhor condição de vida para o seu povo, estão elas, há décadas, sendo discutidas; e o que vemos são remendos, enxertos, paliativos, como uma espécie de conta gotas para não deixar o paciente morrer. Esta é a forma da maioria dos governos, dos políticos, agirem, no mundo todo: defender interesses próprios – pessoais ou do grupo que integram. O interesse público acima de tudo, nem sempre é a prioridade nas ações governamentais, em todos os poderes e esferas de governo.
A história comprova que muitos avanços são produzidos, quando a sociedade — um grande número de pessoas — se manifesta, de forma corajosa, firme e decidida a buscar mudanças.
Aí é que entra o fundamental papel de nossas entidades, do grande capital social que temos em nosso país. Associações, Conselhos de classes, Sindicatos, Federações, Confederações e outras!!! Por quê é tão difícil juntar energias, superar possíveis divergências ou mesmo omissões, em prol de um objetivo acima dos interesses da entidade, para um bem comum maior? Será tão difícil assim para uma entidade apoiar, gastar dinheiro se preciso for, em algo que se projeta ser bom, para o conjunto da sociedade, sem que seja ela, “o pai da criança”? A falta de união impede a colaboração e muitas lutas são travadas, mas de forma isolada, ou somente por um pequeno grupo.
Nem sempre os interesses que movem os governos, são os do bem comum. E quem elege os governantes? O povo que vota. E quem vai mobilizar este povo que vota? Este conjunto de entidades. Imaginemos superar vaidades, divergências ou simplesmente deixar a omissão de lado, e um grande número delas trabalharem juntas, em prol de medidas estruturantes, que beneficiem o conjunto maior da sociedade. Já imaginaram que força, que poder, que MOLA PROPULSORA de mudanças, de avanços?
Desde uma pequena comunidade, passando por uma região, um estado ou nação, se as entidades organizadas se juntarem numa ideia, num projeto, cuja evidência indica claramente como resultado, melhoras para uma grande maioria da população, ninguém segura, torna-se uma FORÇA TRANSFORMADORA.
Exemplos, de temas que poderiam despertar esta união de forças:
1-Alguém tem dúvida sobre a NECESSIDADE e URGÊNCIA de termos FERROVIAS de norte a sul deste continental país, seja para cargas ou passageiros? Redução de custos de produtos em geral, de acidentes, de mortes, de manutenção de rodovias, etc. E por que elas não são construídas, na velocidade que deveriam?
2-Um ensino público, pelo menos até o ensino médio, com qualidade, onde os resultados de aprendizagem sejam melhores, mas muito melhores que os atuais, com acesso igual para todas as crianças e jovens deste país.
3-Fim da impunidade e dos privilégios, com diminuição da corrupção, com leis e justiça mais rígidas, atingido a todos igualmente, do mais humilde ao mais rico e poderoso.
Só uma sociedade que se mobiliza pode impedir governos mal intencionados ou incompetentes, de produzirem mais estragos e ainda mais atrasos no desenvolvimento. E quem deve liderar estas mobilizações são as entidades, este patrimônio nacional chamado CAPITAL SOCIAL.
Edésio Reichert

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