Por que a maioria de nossas crianças não aprendem a ler direito?

Cerca de 7% dos brasileiros são considerados totalmente analfabetos. Porém o que é profundamente preocupante são os assim chamados analfabetos funcionais. Há relatos que cerca de 50% dos universitários podem ser considerados analfabetos funcionais (pessoas que leem e não entendem o que leram e não escrevem direito). Estranhamente esses dados parecem não preocupar nossos responsáveis pelo ensino, nossas universidades, a ponto de provocar neles, ações efetivas no enfrentamento desse grave problema, com a coragem e determinação necessárias que o problema exige, a ponto de promover sua diminuição .

Cabe a pergunta: por que a maioria de nossas crianças não aprendem ler direito?

Segundo o Neurocientista Stanislas Deahene, no seu livro Os Neurônios da Leitura, “o método global de alfabetização mobiliza um circuito diametralmente oposto ao da leitura esperta”. Isto significa que utilizar o método global ou método que utiliza-se excessivamente de imagens, não ativa no cérebro, o lado da leitura esperta. E aqui está uma primeira e forte razão da ausência de muitos e bons leitores: estamos utilizando métodos equivocados de alfabetização.

Já o Filósofo Armindo Moreira, no seu livro Professor não é Educador, diz: “ler depressa requer treino, repetição – hábito. E que tempo dedicam as crianças à leitura (em sala de aula), nos primeiros anos de escola? Pouco; insuficiente para a adquirir a habilidade da leitura rápida”. E aqui temos um segundo motivo para termos tão poucos leitores.

O Prof. Pierluigi Piazzi em seu livro Aprendendo Inteligência disse: “só escreve bem quem lê bem e só lê bem quem lê muito e só lê muito quem lê por prazer”. “Começou ler um livro e está chato, pare e comece outro; está chato, pare e comece outro. Foram escritos milhões de livros, descubra qual foi escrito pra você”.

Ler é hábito e assim como outros, adquire-se pela repetição. Como exemplo, as crianças normalmente não gostam de escovar os dentes, mas pela repetição diária, ao final de alguns meses, sentem a necessidade de o fazer todos os dias, isto é, desenvolvem o hábito.

Ler é exatamente igual. Vem daí a importância de AUMENTAR O TEMPO DE LEITURA EM SALA DE AULA, ou ainda, programar mais dias e horários para o ATO DE LER, em sala de aula, para que o aluno possa adquirir o hábito. Atitudes essas sempre acompanhadas de um dicionário, para consultar sempre que uma palavra se mostrar incompreensível, permitindo ao aluno ganhar autonomia e enriquecendo seu vocabulário.

E por que a sala de aula é o melhor lugar para a disciplina rotineira da prática da leitura? Por que na escola é possível programar e fazer cumprir uma rotina, com mais facilidade do que em casa. Pais que leem em casa merecem todos os parabéns do mundo e colaboram decisivamente para que os filhos adquiram o mesmo hábito. Mas é na sala de aula, que a rotina quase diária da leitura deve ser praticada, de modo que seja assimilada como hábito, assim como o escovar os dentes.

Como esperar que um aluno que não aprende ler direito (ler e compreender o que leu) faça progressos nos demais anos de escola? Como esperar que se torne um profissional competente, um cidadão responsável, uma pessoa culta, se não aprende ler direito?

Interessante observar que para esta mudança de atitude em sala de aula, não depende de mais dinheiro no sistema de ensino; apenas de atitude da direção, da coordenação, dos professores da escola, e claro, dos que administram o sistema de ensino.

Edésio Reichert


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